
6º Fórum Café e Clima: condições meteorológicas da safra 2024/2025
Período vegetativo do cafeeiro contou com condições favoráveis, mas o reprodutivo foi marcado por temperaturas elevadas e chuvas irregulares
Atualizado em 19/07/2024
6º Fórum Café e Clima: condições meteorológicas da safra 2024/2025
Período vegetativo do cafeeiro contou com condições favoráveis, mas o reprodutivo foi marcado por temperaturas elevadas e chuvas irregulares

Por Redação em 24/07/2024
Atualizado em 19/07/2024
A planta de café possui um ciclo fenológico bem definido. De acordo com a Embrapa, a primeira fase é a vegetativa e a segunda reprodutiva. Depois acontece o florescimento e a frutificação. Em seguida, a maturação, até chegar à colheita. Dessa forma, uma safra colhida começa ser gerada a dois anos antes, sempre dependendo das condições meteorológicas e dos tratos culturais do produtor.
Para discutir sobre o tema, a Cooxupé promove o 6º Fórum Café e Clima. O encontro será realizado no dia 31 de julho, das 14h às 17h, na matriz da cooperativa, em Guaxupé (MG). Ademais, haverá transmissão ao vivo, on-line, pelo Hub do Café e pelo canal da Cooxupé no YouTube.
Durante o evento, pois, terá uma palestra de Guilherme Vinícius Teixeira, engenheiro agrônomo do Departamento de Geoprocessamento da cooperativa. Na ocasião, ele vai falar sobre as condições meteorológicas ocorridas na safra 2024/2025 e suas consequências nas regiões cafeeiras da Cooxupé.
Condições meteorológicas
Segundo Teixeira, a cultura do café é dividida em duas fases fenológicas: período vegetativo e reprodutivo, que acontece em dois anos. “A safra de 2024, que está sendo colhida agora, começou a ser gerada em 2022. Isso em julho e agosto, quando começam as primeiras chuvas, proporcionando condições meteorológicas favoráveis à retomada das condições fisiológicas para o desenvolvimento das plantas”, explica.
Nesse sentido, o período vegetativo desta safra apresentou condições favoráveis, com bom crescimento e desenvolvimento vegetativo. Houve períodos de volume de chuva favoráveis, outros abaixo da média histórica. Porém, não impactando no desenvolvimento vegetativo. E, no meio do caminho, registraram temperaturas médias e também maiores. Como consequência dos momentos de pouca chuva, houve redução do armazenamento de água e registro de déficit hídrico, que é um indicador que as plantas passaram sede.
“Entretanto, no geral, foi um bom período. As lavouras vegetaram, cresceram ramos e nós, onde estão as gemas que darão as flores. E as flores dão origem aos frutos”, resume o engenheiro.
Período reprodutivo
Já o período reprodutivo começou em julho e agosto de 2023, com o início das primeiras chuvas do ano agrícola e temperaturas dentro da média. Que, por consequência, estimularam a abertura das primeiras flores. Em seguida, em setembro, outubro, novembro e dezembro de 2023 ocorreram temperaturas acima da média histórica, com picos térmicos. Resultando, afinal, em estresse térmico para a planta e comprometimento da fase de desenvolvimento dos frutos. Durante o período, as precipitações registradas na área de monitoramento da Cooxupé foram irregulares, característica do fenômeno El Niño.
“As plantas submetidas a estresse térmico, ao invés de usar energia para o enchimento do grão e desenvolvimento vegetativo para safra 2025, tiveram que ativar mecanismos fisiológicos com objetivo de passar o período de estresse. Resultando, assim, em um maior consumo de energia e fotoassimilados, comprometendo a formação do fruto. E impactando diretamente na redução da peneira (tamanho do fruto) na presente safra”, detalha Teixeira.
Em síntese, entre janeiro e junho deste ano, aconteceram chuvas irregulares, abaixo da média, e persistência de temperaturas acima da média histórica. Ainda observaram redução no armazenamento de água no solo e elevado déficit hídrico para o período. Que, por consequência, os frutos aceleraram a fase de maturação, chegando rapidamente a frutos secos. Também trazendo, por fim, atenção para a fase vegetativa que originará a safra 2025.
Recomendações
De acordo com o engenheiro agrônomo da Cooxupé, é necessário ter alguns cuidados no manejo durante os períodos vegetativo e reprodutivo da planta. Isso para garantir a produtividade e qualidade do café. Portanto, os cooperados precisam ter um sistema harmônico, adubação equilibrada e correção do solo. Além de manejo fitossanitário no controle de pragas e doenças, o ideal é desenvolver práticas ligadas à agricultura regenerativa.
“Seguindo essas recomendações, as plantas ficam robustas para passarem por momentos de estresse climático, caso aconteçam. Além disso, o sistema de irrigação é uma boa ferramenta para suprir necessidades hídricas em períodos de temperaturas altas e estiagem”, complementa Teixeira.
Programe-se
6º Fórum Café e Clima da Cooxupé
Data: 31 de julho
Horário: a partir de 14h
14h: Abertura com a Diretoria Executiva da Cooxupé
14h15: Palestra de Guilherme Vinícius Teixeira, engenheiro agrônomo do Departamento de Geoprocessamento da Cooxupé. Tema: “As condições meteorológicas ocorridas na safra 2024/2025 e suas consequências nas regiões cafeeiras da cooperativa”.
15h00: Palestra de Marco Antônio dos Santos, agrometeorologista da empresa Rural Clima, sobre as previsões climáticas para a safra 2025 e como se prevenir da La Niña.
15h40: Palestra do Prof. Dr. José Donizete Alves, docente da Universidade Federal de Lavras (UFLA), sobre os impactos do clima adverso na fisiologia do café, além de análise da safra 2024 e perspectivas para 2025.
16h20: Debate
17h00: Encerramento
Assine nossa Newsletter
Cadastre-se gratuitamente e receba nossa newsletter para ficar por dentro das novidades do mercado de café.
Continue lendo

Café reduz risco de doenças do fígado, aponta estudo

Brasil exporta 3,9 mi de sacas de café em setembro, alta de 3% ante 2025

Broca-do-café exige monitoramento e manejo desde a etapa pós-colheita


