
CONAB: Safra de café 2022 pode chegar a 53,4 milhões de sacas
Impacto vem por conta do clima adverso, de acordo com o segundo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento
Atualizado em 21/09/2022
CONAB: Safra de café 2022 pode chegar a 53,4 milhões de sacas
Impacto vem por conta do clima adverso, de acordo com o segundo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento

Por Lorenah Spata em 19/05/2022
Atualizado em 21/09/2022
As condições climáticas registradas durante o desenvolvimento da safra 2022 de café são determinantes para a estimativa de produção de 53,4 milhões de sacas.
De acordo com o segundo levantamento da cultura, divulgado no dia 19/05 pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o volume representa, pois, um acréscimo de cerca de 5,7 milhões de sacas em relação ao ciclo anterior. Se comparado com a colheita de 2020, último ano de bienalidade positiva, a produção esperada para este ano é 15,3% inferior, o que representa 9,65 milhões de sacas.
“A recuperação é limitada, uma vez que a estiagem e as geadas ocorridas ainda no ano passado, principalmente em Minas Gerais, Paraná e São Paulo, debilitaram as plantas, influenciando no desempenho produtivo das lavouras de café”, reforça o presidente da Companhia, Guilherme Ribeiro.
Café Arábica
O café do tipo arábica é aquele que mais deve ser influenciado pelo clima adverso. Pois, a sua concentração ocorre nessas regiões mais impactadas pelas baixas temperaturas e pela escassez hídrica.
A expectativa ainda é de uma recuperação na produção em relação à safra passada, podendo, assim, chegar a 35,7 milhões de sacas do produto beneficiado. Porém, era esperado um potencial produtivo maior, por se tratar de um ciclo de bienalidade positiva. Se comparado com a safra 2020, a sinalização é de diminuição de 23,6% do volume total estimado.
“Os técnicos da Companhia que foram a campo acompanhar o desenvolvimento das lavouras relataram que, apesar da boa florada a partir das chuvas ocorridas, não houve um bom pegamento dos chumbinhos devido às condições fisiológicas das plantas”, explica a superintendente de Informações da Agropecuária da Conab, Candice Romero Santos.
Para a produtividade média, o último ano de bienalidade positiva alcançou cerca de 32,21 sacas por hectare para o mesmo café arábica. Já na atual safra, a estimativa é de um rendimento médio de 24,6 sacas por hectare. Minas Gerais continua como o maior produtor de café do Brasil com 24,7 milhões de sacas produzidas, destas 24,4 são de arábica.
Café Conilon
Em movimento oposto ao arábica, a produção de café conilon deve atingir um novo recorde, com colheita de 17,7 milhões de sacas beneficiadas. Um aumento de 8,7% em relação à safra anterior, puxado pelo incremento de produtividade que tem sido recorrente a cada ano.
No Espírito Santo, principal estado produtor de conilon, a produção tende a ultrapassar as 12 milhões de sacas.
“Não houve registro de extremos climáticos no estado capixaba. Pelo contrário, o volume de chuvas e as temperaturas foram favoráveis para a cultura. O mesmo cenário foi verificado na Bahia. Em Rondônia, além das boas condições climáticas, os produtores seguem investindo em melhorias nos pacotes tecnológicos. Já os estados de Mato Grosso e Amazonas apresentam grande potencial para ampliar a produtividade e consequentemente a produção”, ressalta o diretor de Informações Agropecuárias e Políticas Agrícolas da Conab, Sergio De Zen.
Área
Segundo o levantamento divulgado pela Companhia, a área destinada para o café está estimada em 2,2 milhões de hectares, aumento de 1,9% em relação a 2021. A elevação é esperada tanto para o espaço destinado para as plantas em formação como para aquelas em produção.
Para a área em formação, que contempla plantios novos e áreas esqueletadas ou recepadas, a Conab estima cerca de 401,2 mil hectares, enquanto que as lavouras em produção devem se estender por 1,84 milhões de hectares, alta de 2,5% e 1,8% respectivamente.
Mercado
Nos quatro primeiros meses deste ano, o Brasil já exportou 14,1 milhões de sacas de 60 kg de café. O volume é 10,8% menor do que a quantidade exportada em igual período do ano passado, resultado influenciado pela queda na produção de café em 2021 e redução dos estoques internos nos primeiros meses de 2022.
“Atualmente, a oferta restrita do produto continua influenciando os preços. Por outro lado, a pressão baixista sobre o consumo aumenta as incertezas e a tendência atual é de muita volatilidade. Porém a recuperação limitada da produção brasileira impede quedas mais expressivas nas cotações de café e sustenta os valores praticados no mercado em patamares elevados”, pondera o superintendente de Estudos de Mercado e Gestão da Oferta da Conab, Allan Silveira.
Clique aqui para mais detalhes sobre os números da safra de café no país.
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