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Com as previsões do aumento da população mundial, é preciso expandir a área agrícola e ampliar a sustentabilidade
A população mundial continuará crescendo, até 2050. Até lá, pois, aumentará também a renda per capita, em especial os recursos das famílias disponíveis para aquisição de alimentos. Assim, haverá uma crescente procura de produtos agrícolas, como alimentos, fibras e madeira, o que representa um grande desafio ambiental a ser equacionado. Ou seja, aumentará a demanda futura de produtos agrícolas.
Conforme o Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC), para manter o aumento da temperatura global abaixo de 1,5°C impõe-se o rápido fim desmatamento líquido. E, ao reverso, o aumento do reflorestamento, além da redução da velocidade de expansão da fronteira agrícola.
Em decorrência da conversão de habitats nativos para diversas atividades econômicas, a princípio, está ocorrendo uma extinção de espécies. Afetando a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos.
De antemão, os cenários que satisfazem as necessidades alimentares futuras e os níveis esperados de aumento da procura de fibras e madeira – sem conversão adicional ou perturbação líquida das florestas mundiais – são provavelmente possíveis. Entretanto, altamente desafiantes.
Isso inclui, por outro lado, aumentar a produtividade sustentável da agricultura, recuperar terras. Além de restaurar florestas e outros habitats nativos para fornecer biodiversidade e armazenar carbono. O que exige implementar ações sem precedentes, baseadas em progresso tecnológico e determinação política.
Primeiramente, um relatório produzido pelo World Resources Institute demonstra que quase metade de todas as terras do planeta, com algum grau de aptidão agrícola, já foram convertidas. E 60 a 85% das florestas restantes sofreram alguma forma de interferência.
Nesse sentido, essas mudanças são os principais impulsionadores da perda de biodiversidade. E contribuíram com 25 a 33% das emissões de carbono lançadas à atmosfera, em períodos recentes.
De acordo com os dados da Global Forest Watch Link, desde o ano de 2000 ocorre, anualmente, uma perda de 15 Mha de cobertura florestal. Parcela ponderável é convertida para agricultura, conforme mostra um estudo com dados de satélite. Quem conduziu a pesquisa foi a equipe do prof. Potapov (Universidade de Maryland) e publicaram na revista Nature.
Dessa forma, o estudo mostra que a conversão líquida da vegetação nativa remanescente, para uso por culturas anuais, aumentou de cerca de 5 Mha/ano (2004 a 2007) para 10 Mha/ano (2013 a 2019).
Ademais, os autores observaram expansão de culturas perenes superior a 1 Mha/ano. Devido às limitações nas leituras dos satélites nas áreas de pastagens, a sua expansão é incerta. O que levou os autores a sugerirem que mais carbono está sendo emitido e mais biodiversidade está sendo perdida. Isso devido à conversão de áreas nativas para pastagens.
Se nada mudar, em suma, a crescente procura de alimentos deverá conduzir à incorporação de mais 600 Mha à agricultura. Isso entre 2010 e 2050, em virtude do aumento estimado de 50% na demanda de produtos agrícolas. No cenário elaborado pelo WRI, portanto, a demanda de calorias crescerá 56% durante esse período, e a procura de carne e lacticínios em 68%.
No cenário do WRI, inclusive, se a produtividade da agropecuária continuar crescendo nas taxas históricas (1960-2010), as terras agrícolas se expandirão em cerca de 200 Mha (5 Mha/ano). E as áreas de pastagens em 400 Mha, entre 2010 e 2050. Ou seja, esses 600 Mha de expansão representam quase o dobro do tamanho da Índia.
De acordo com o cenário, a expansão agrícola à custa das florestas e das savanas, juntamente com a degradação contínua das turfeiras, libertaria cerca de 240 GtCO2 eq na atmosfera nos próximos 40 anos, ou 6 GtCO2 eq por ano. Primordialmente, esses valores representam quase 40% do total de emissões de dióxido de carbono. Que são calculados para limitar o aquecimento a 1,5°C – 2°C, entre 2010 e 2050.
Em síntese, o Brasil pode se tornar o grande modelo para outros países, a fim de evitar um colapso do tipo desastre anunciado. Em nosso país, preservamos quase dois terços da vegetação nativa do país, um quarto dela nas propriedades agrícolas, à custa do agricultor.
Utilizamos apenas 7% do território para produção agrícola. Acima de tudo, temos opções altamente sustentáveis, como tecnologia que incrementa a produtividade líquida da agropecuária, em altas taxas. Além da utilização da mesma área para duas ou três safras/ano; o uso de tecnologias como a integração lavoura-pecuária-floresta. E, ainda, a recuperação de áreas degradadas, entre outras.
Poucos países de importância agrícola possuem tantas alternativas. Aliás, aí está a dificuldade da questão: aplicando as receitas acima, o Brasil se torna cada vez mais competitivo no mercado internacional de produtos agrícolas. E isto gera uma reação muito forte de concorrentes de outros países. Como, por exemplo, os protestos dos agricultores europeus, ocorridos no final de 2023 e início de 2024. Pedindo restrição às exportações brasileiras e a não assinatura do acordo comercial com o Mercosul.
Nesse caso, pois, o desafio não é mais tecnológico, é geopolítico. Em conclusão, convencer a Europa e outros países protecionistas a abrirem mão de subsídios e protecionismos, para o bem da Humanidade será uma tarefa árdua.
Assim como será difícil convencer consumidores europeus – com renda per capita superior a US$ 50 mil – que pagar mais caro por produtos da agricultura orgânica custa mais caro ainda para o mundo. Pois a produtividade da agricultura orgânica pode ser até 54% inferior à convencional, exigindo o dobro de expansão de área para obter a mesma quantidade de produto agrícola.
Por fim, Hércules encontrou mais facilidade para cumprir seus sete trabalhos!
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