
Especialistas debatem mercado global e futuro do abastecimento do café
Promovido pelo Cecafé, encontro foi realizado na manhã desta sexta-feira, 4 de julho, no 10º Coffee Dinner & Summit, em Campinas (SP)
Atualizado em 04/07/2025
Especialistas debatem mercado global e futuro do abastecimento do café
Promovido pelo Cecafé, encontro foi realizado na manhã desta sexta-feira, 4 de julho, no 10º Coffee Dinner & Summit, em Campinas (SP)

Por Redação em 04/07/2025
Atualizado em 04/07/2025
O mercado global de café enfrenta um cenário desafiador, com impactos significativos no abastecimento e na dinâmica da cadeia produtiva. De antemão, dificuldades devido a problemas climáticos e gargalos logísticos podem influenciar a produção e o preço do café. Esse cenário, entre outros assuntos, foi discutido por especialistas do setor no painel “Coffee Market Outlook: O Futuro do Abastecimento”, no 10º Coffee Dinner & Summit.
Promovido pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), o encontro foi realizado na manhã desta sexta-feira, 4 de julho, no Royal Palm Hall, em Campinas/SP.
O superintendente comercial da Cooxupé, Luiz Fernando dos Reis, foi o moderador do painel, que contou com a participação de Charles Chiapolino, chefe Global de Pesquisa de Café da Louis Dreyfus Company. Bem como Germán Bahamón Jaramillo, CEO da Federação dos Cafeicultores da Colômbia, e Oscar Schaps, presidente da Divisão da América Latina da StoneX Financial Inc.
Mercado global
Responsável por conduzir o debate, Luiz Fernando dos Reis enfatizou, primordialmente, o papel central do Brasil no futuro do abastecimento mundial do café. “O mercado global de café está passando por um período de transformação, com desafios climáticos e logísticos impactando a produção e os preços”, afirmou.
“Somos, consistentemente, o maior produtor de café do mundo e devido à grande participação do país no mercado, qualquer variação significativa na produção impacta diretamente os preços internacionais”, completou.
Perspectivas do setor

Primeiramente, Germán Bahamón Jaramillo destacou a importância da comunicação dentro do setor cafeeiro. Nesse sentido, o CEO da Federação dos Cafeicultores da Colômbia ressaltou que o país está presente para fortalecer sua parceria com o Brasil no mercado de café. Desse modo, visando aumentar a produção e atender à crescente demanda global.
Em seguida, contextualizou o aumento estável na demanda, o qual tende a se manter em crescimento. Isto é, considerando que há 2,5 bilhões de pessoas para entrar no consumo de café nos próximos anos em países que tradicionalmente ainda não são consumidores da bebida. “Se continuarmos nesse ritmo de crescimento até 2030, o consumo global deve totalizar 200 milhões de sacas de café. Nesse sentido, o que precisamos fazer é entender quem vai produzir tudo isso e como podemos transformar em um esforço sustentável. Não apenas no lado ambiental, mas também no financeiro para tornar a indústria lucrativa desde a fazenda até o varejista”, apontou Germán.
O mercado de café tem crescido constantemente e a Colômbia, com cerca de 150 mil cafeicultores, busca aumentar a produtividade. E explorar novas áreas de plantio para atingir a meta de 20 milhões de sacas. “A qualidade continua sendo o foco principal, com o objetivo de manter a Colômbia como um fornecedor confiável para a indústria global”, relatou.
Por fim, Germán destacou que, apesar do aumento nos preços, o consumo de café permanece estável, indicando um ‘mercado não elástico’. Para ele, ‘forçar a queda de preços não é favorável ao desenvolvimento da cafeicultura’. “Não há sustentabilidade se o valor não for construído de baixo para cima”, considerou.
Crescimento de produção
Chefe Global de Pesquisa de Café da Louis Dreyfus Company, Charles Chiapolino destacou que a demanda global pelo produto está resiliente, apesar dos preços recordes no início do ano. Desde já, o Brasil lidera esse movimento, com sua produção arábica representando uma porcentagem crescente em 38% do café mundial.
De antemão, estima que o Brasil poderá adicionar 23 milhões de sacas de 60kg ao mercado nos próximos 10 anos. Ou seja, após o país ter aumentado a produção em 9 milhões de sacas na última década.
No entanto, o especialista alertou para questões referentes à infraestrutura e investimentos no setor para o crescimento produtivo. “Estão prontos para isso? Sabemos que os produtores estão investindo em suas produções, mas temos galpões suficientes, logística, caminhões, portos, financiamentos para isso?”, ressaltou.
De acordo com Chiapolino, o sucesso do Brasil é atribuído ao seu capital humano, financeiro, disponibilidade de terra, tecnologia e um ecossistema de agronegócio bem estabelecido.
Desafios do país
Entretanto, o chefe de pesquisas de café da Louis Dreyfus ponderou desafios que o país terá pela frente: resiliência, aquecimento global, logística e sustentabilidade. Bem como adaptação às mudanças no consumo.
“Conforme o Brasil se torna um produtor ainda mais importante do que já é, terá mais responsabilidades. Nos últimos 50 anos, dos 10 picos no mercado, nove foram impulsionados pela produção no país. Tivemos geadas, secas, entre outros problemas, por exemplo. Então, para sermos resilientes precisamos nos preparar para o que já aconteceu nos últimos anos”, disse.
Oferta do produto

Presidente da Divisão da América Latina da StoneX Financial Inc, Oscar Schaps mencionou que o Brasil tem um grande impacto no mercado global de café. Durante apresentação no 10º Coffee Dinner & Summit, ele destacou que os ciclos produtivos estão rápidos após a pandemia, com menor produção elevando os preços, porém é alto o incentivo ao aumento da produção. Dessa forma, o que pode levar à queda dos preços. O convidado também considerou as incertezas climáticas.
Ele ainda disse que o aumento recente dos preços já está impulsionando a produção, com base no número de viveiros ativos e mudas de café vendidas. “O Brasil precisará aumentar sua produção nos próximos anos, especialmente o Conillon. Mas, há preocupação de que o crescimento produtivo possa superar o do consumo de café, que tem sido lento no pós-pandemia”, comentou.
Ele também expressou preocupação com o atraso da África e as limitações da América Central.
Estoques
Durante o painel, os especialistas afirmaram que a recomposição dos estoques globais de café levará pelo menos duas boas safras. Ou seja, devido aos déficits sucessivos na oferta e demanda. Contudo, apesar dos preços altos, o consumo se mantém resiliente. O cenário aponta para desafios globais no setor, com preços em máximas históricas. E indica que mesmo uma grande safra esperada para 2026 no Brasil pode não aliviar imediatamente os consumidores.
“Eu acho que estamos ainda em um momento que não é confortável. Não acredito em formação de estoque de café este ano para o próximo”, disse Luiz Fernando dos Reis, superintendente comercial da Cooxupé.
Seguindo no mesmo raciocínio, Charles Chiapolino referiu que “será difícil recompor os estoques globais após anos de déficits, necessitando de pelo menos dois anos de safras muito boas”.
Germán Bahamón concordou, destacando a queda dos estoques devido ao forte consumo. Por fim, Oscar Schaps observou que a estrutura do mercado invertido dificulta a formação de estoques e espera que a safra de 2026 do Brasil ajude a melhorar a situação.
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