
Falta de chuvas será debatida durante o 4º Fórum Café e Clima
Fisiologista avalia que déficit hídrico na lavoura pode ter afetado o café durante o período de enchimento dos grãos
Atualizado em 10/10/2023
Falta de chuvas será debatida durante o 4º Fórum Café e Clima
Fisiologista avalia que déficit hídrico na lavoura pode ter afetado o café durante o período de enchimento dos grãos

Por Redação em 21/09/2022
Atualizado em 10/10/2023
O outono, que começa em março, costuma ser um divisor na agricultura devido à redução na quantidade de chuvas. A princípio, a estação de transição entre o verão quente e úmido e o inverno frio e seco deveria apresentar, aos poucos, uma mistura desses dois opostos.
Porém, em 2022, de forma atípica, houve redução das chuvas em áreas de lavoura, levando a prejuízos para o enchimento dos grãos de café. A avaliação é do fisiologista vegetal Cláudio Pagotto Ronchi, que atua como docente na Universidade Federal de Viçosa (UFV).
“As chuvas diminuíram. Tivemos deficiência hídrica em regiões não irrigadas. E essa falta pegou o cafeeiro na fase de enchimento dos grãos, levando à perda de rendimento”, antecipa.
4º Fórum Café e Clima
Pagotto é um dos palestrantes do 4º Fórum Café e Clima que, em síntese, a Cooxupé promove no dia 27 de setembro, na sede da cooperativa, em Guaxupé. O fisiologista comenta, no entanto, que é preciso avaliar a condição atual para saber como será o rendimento da safra futura.
“A planta de café tem uma capacidade muito grande de recuperação se o clima for favorável. Temos que esperar as chuvas, que vem a partir de agora, para sabermos como será essa florada”, diz.
Acrescido a isso tem, ainda, outro componente: As safras anteriores (21/22) foram menores, o que pode se refletir em ganhos na atualidade. “Do aspecto positivo, as plantas estão mais descansadas. Elas pouparam energia e têm mais ramos. Dessa forma, podem dar uma boa florada e uma boa safra em 2023”, afirma.
Mas, novamente, a questão crucial é que o atraso ou déficit de chuvas nos meses esperados impacta em menor crescimento dos grãos. “Ao longo de 2021 as chuvas vieram mais tarde. E, depois, a chuva se concentrou especialmente nos meses de janeiro e fevereiro. Isso pode se refletir em uma florada menor”.
Desfolha dos Cafeeiros
Do ponto de vista da fisiologia, área de atuação do professor, o prolongamento da estiagem tem, em suma, outro impacto: O desfolhamento dos cafeeiros. “A seca intensifica a desfolha, que pode ser prejudicial porque na florada o cafeeiro precisa dessa folha para formar uma flor e, assim, ter o preenchimento do fruto”.
E para tranquilizar o produtor rural, Pagotto reforça, ainda, que é preciso cautela. “Precisamos esperar a configuração das chuvas para bater o martelo. Isso depende de como será o clima de agora até a próxima colheita, em 2023”.
Outros convidados
Outros dois especialistas compõe o 4º Fórum do Café e Clima da Cooxupé. Um deles, o engenheiro agrônomo Éder Ribeiro dos Santos, que coordena o setor de Geoprocessamento da Cooxupé. Eder irá abordar o impacto das condições meteorológicas na área de cobertura da cooperativa.
Também participa do evento o Engenheiro Agrônomo e Agrometeorologista Marco Antônio dos Santos, que é sócio fundador da Rural Clima, uma consultoria especializada em serviços de previsão meteorológica, com foco no agronegócio. O convidado irá comentar as previsões climáticas para a safra de café 2023.
O 4º Fórum do Café e Clima ocorre no dia 27 de setembro, na matriz da Cooxupé, em Guaxupé (MG), com início a partir das 14h. O evento terá transmissão, ainda, pelo HUB do Café.
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