
Fórum Café e Clima debate manejo fisiológico do café
Promovido pela Cooxupé, evento destacará estresses climáticos recentes e reforça estratégias de adaptação na cafeicultura
Atualizado em 09/08/2025
Fórum Café e Clima debate manejo fisiológico do café
Promovido pela Cooxupé, evento destacará estresses climáticos recentes e reforça estratégias de adaptação na cafeicultura

Por Redação em 09/08/2025
Atualizado em 09/08/2025
O 7º Fórum Café e Clima, promovido pela Cooxupé, acontece no dia 14 de agosto, às 14h, na sede da cooperativa, em Guaxupé (MG). O evento terá transmissão ao vivo pelo Hub do Café e reunirá especialistas para debater os efeitos do clima na cafeicultura e as perspectivas para as próximas safras. Entre os destaques do encontro está a palestra do professor doutor José Donizeti Alves, da Universidade Federal de Lavras (UFLA). Acima de tudo, ele abordará os efeitos do clima sobre a safra 2025 e os desafios no manejo fisiológico do café para 2026.
Segundo o professor, sua análise considera as principais áreas de atuação da Cooxupé, como o Sul de Minas, o Cerrado Mineiro e a Média Mogiana, em São Paulo.
Efeitos do clima na cafeicultura
De acordo com Donizeti, a lavoura de café arábica segue vulnerável aos eventos climáticos extremos. “Diferente do conilon, que em 2025 deve superar o recorde de produção registrado em 2022, o arábica ainda não recuperou o patamar de colheita observado em 2020. As ondas de calor, as secas prolongadas e as geadas intensas têm limitado esse avanço. Precisamos reforçar a resiliência do cafeeiro arábica como estratégia fundamental para a estabilidade e sustentabilidade da produção”, afirma.
Conforme o especialista, o clima de 2024 impactou diretamente a safra seguinte. “As chuvas cessaram em abril e só retornaram em outubro. Esse intervalo seco, aliado a temperaturas acima da média, causou estresse térmico e hídrico nas plantas. Como consequência, observamos escaldadura foliar, desfolhamento e seca dos ponteiros justamente na fase pré-florada, comprometendo a formação dos botões florais”, relata.
O professor também destacou o efeito do calor em momentos-chave da produção. “Temperaturas elevadas durante o crescimento ativo reduziram o tamanho dos grãos. Já na fase de granação, o calor prejudicou o acúmulo de massa, afetando o peso final. Esses fatores explicam a retração da produtividade em 2025”, completa.
Perspectivas para a safra 2026
Por sua vez, José Donizeti Alves aponta um cenário mais favorável até o momento. “Neste ano, a estiagem foi mais curta que em 2024. As lavouras demonstram bom vigor e folhagem densa, indicando reservas bem estabelecidas, fator essencial para a pré-florada”, destaca.
No entanto, ele faz um alerta sobre o comportamento térmico de 2025. “A combinação de noites frias com tardes muito quentes impõe estresse fisiológico às plantas e pode antecipar a florada, após chuvas leves. Se as precipitações forem irregulares e as temperaturas extremas persistirem, há risco de falhas no vingamento floral, o que transferiria a expectativa para uma segunda florada”, avalia.
Apesar da incerteza, o especialista mantém boas projeções. “Ainda é cedo para definir o tamanho da safra 2026. Porém, se evitarmos veranicos durante o crescimento e a granação, temos boas perspectivas. Como diz o ditado, é melhor colocar as barbas de molho. Principalmente após os prejuízos térmicos observados 2024 e 2025.”
Manejo fisiológico do café

Contudo, ao abordar o manejo para 2026, o especialista enfatiza a importância da estrutura da planta. “Tenho reforçado que a manutenção de um dossel foliar saudável e o desenvolvimento de um sistema radicular profundo são essenciais. Essas estruturas atuam em sinergia e aumentam a tolerância ao estresse abiótico”, reforça.
Ele detalha o mecanismo dessa interação fisiológica. “Raízes vigorosas ampliam a absorção de água e nutrientes, o que ativa a transpiração. Além disso, isso reduz a temperatura foliar e aumenta a fotossíntese, elevando a produção de energia para crescimento e fortalecimento do próprio sistema radicular. É um ciclo virtuoso”, explica o professor.
Sobretudo, José Donizeti recomenda um conjunto de práticas integradas. “O produtor deve investir em irrigação eficiente, nutrição equilibrada, diagnóstico foliar e de solo, controle de pragas e doenças, uso de bios (biofertilizantes, bioestimulantes, aminoácidos), calagem, gessagem, subsolagem, matéria orgânica e cobertura vegetal para o solo.”
Mudanças climáticas e o novo calendário da cafeicultura
Por fim, o professor defende a adaptação do calendário agrícola. “O cafeicultor precisa abandonar o calendário físico tradicional. Os extremos climáticos têm acelerado o metabolismo do cafeeiro, antecipando fases fenológicas. Ignorar esse ritmo biológico compromete o sucesso das práticas de manejo”, aponta.
Segundo ele, a observação do ciclo fisiológico da planta torna-se uma ferramenta estratégica. “A adaptação ao calendário fenológico é essencial para garantir o timing das intervenções agronômicas diante das novas condições climáticas”, conclui
Assine nossa Newsletter
Cadastre-se gratuitamente e receba nossa newsletter para ficar por dentro das novidades do mercado de café.
Continue lendo

Café reduz risco de doenças do fígado, aponta estudo

Brasil exporta 3,9 mi de sacas de café em setembro, alta de 3% ante 2025

Broca-do-café exige monitoramento e manejo desde a etapa pós-colheita


