
Maturidade digital do agro brasileiro avança e se aproxima da média das indústrias em 2025
Índice da PwC Brasil e Fundação Dom Cabral mostra evolução do setor e aponta desafios para ampliar a adoção de tecnologias emergentes
Atualizado em 19/07/2026
Maturidade digital do agro brasileiro avança e se aproxima da média das indústrias em 2025
Índice da PwC Brasil e Fundação Dom Cabral mostra evolução do setor e aponta desafios para ampliar a adoção de tecnologias emergentes

Por Redação em 19/07/2026
Atualizado em 19/07/2026
A maturidade digital do agronegócio brasileiro registrou avanço significativo no último ano, passando de 3,1 em 2024 para 3,6 em 2025. O crescimento foi um dos maiores entre os setores avaliados pelo Índice de Transformação Digital Brasil (ITDBr), elaborado pela PwC Brasil e pela Fundação Dom Cabral (FDC). No ano anterior, a média geral das empresas brasileiras foi de 3,7, em uma escala de 6,0. O resultado evidencia ganhos estruturais e aproxima o agro da média nacional.
Realizado anualmente, o ITDBr utiliza metodologia própria para acompanhar a evolução da transformação digital nas organizações brasileiras e mensurar o nível de desenvolvimento tecnológico dos diferentes setores da economia. Nesta edição, o levantamento analisou como o agronegócio vem respondendo às demandas de produtividade, inovação e competitividade.
Entre os indicadores de destaque estão infraestrutura (4,4) e estratégia (4,2), ambos acima da média geral, de 4,3 e 4,1, respectivamente. A dimensão de pessoas e cultura também apresentou evolução, alcançando nota 3,7 e acompanhando de forma mais consistente as exigências do mercado.
“A transformação digital no agronegócio deixou de ser uma discussão sobre adoção de tecnologia e passou a ser uma pauta da liderança. O avanço depende menos das ferramentas disponíveis e mais da capacidade das organizações de estruturar processos, desenvolver pessoas e tomar decisões orientadas por dados. O agronegócio brasileiro está diante de um cenário que pede ação: evoluir de uma digitalização focada na eficiência para uma transformação verdadeiramente estratégica, capaz de reinventar modelos de negócio, ampliar a competitividade global e sustentar o crescimento no longo prazo”, afirma Mayra Theis, sócia e líder do setor de agronegócio da PwC Brasil.
Maturidade digital impulsiona eficiência no agronegócio
O ITDBr também aponta impactos práticos da evolução digital. Entre as empresas do agronegócio, 90% informaram aumento da eficiência operacional como principal resultado da transformação digital. Outros 54% relataram melhorias nos processos de tomada de decisão.
Os dados também mostram que 49% das empresas do setor já se classificam como “otimizadoras”, percentual superior à média geral de 33,5%, indicando maior capacidade de consolidar processos digitais e ampliar ganhos de eficiência.
Inteligência Artificial ainda representa desafio
Apesar da evolução, o agronegócio ainda enfrenta desafios em relação à adoção de tecnologias mais avançadas. O índice de uso da Inteligência Artificial (IA) subiu para 3,4, mas permanece abaixo da média geral, de 3,7. A maior diferença aparece na dimensão de fronteira tecnológica, que registrou 1,8 ponto após queda de 1,4, refletindo baixa adoção de tecnologias emergentes.
Para 54% das empresas, o principal desafio é estruturar a digitalização como um processo organizado. Outros 46% apontam a necessidade de integrar a transformação digital aos projetos já existentes. O estudo também mostra que apenas 8% das organizações do agro se enquadram no perfil “visionário”, enquanto a média geral é de 16%.
“Os resultados mostram que o agronegócio atravessa um momento de transição, concentrado principalmente na otimização de suas operações atuais. Ainda assim, a ausência de uma visão mais orientada ao futuro pode limitar a velocidade de evolução do setor diante das crescentes demandas do mercado global, em que a inovação contínua é cada vez mais crítica para a longevidade das empresas”, comenta Hugo Tadeu, diretor do Núcleo de Inovação, IA e Tecnologias Digitais da Fundação Dom Cabral.
Oportunidades para ampliar a transformação digital
O levantamento também identifica oportunidades para acelerar a evolução digital do setor. A principal está na otimização de processos e eficiência, apontada por 21% das empresas, percentual superior à média das demais indústrias. Em seguida aparece a cultura de inovação e experimentação, mencionada por 18% das organizações.
“Os dados mostram que o setor reconhece a importância de testar, aprender e evoluir. A definição de estratégia e roteiro foi citada por apenas 5% das empresas do agronegócio, contra 14% na média geral. Embora seja uma das maiores lacunas em outros setores, no agro ainda não é percebida como um ponto crítico de evolução, o que pode indicar maior foco em melhorias táticas e operacionais de curto prazo, em vez de um planejamento estruturado”, complementa Mayra Theis.
Assine nossa Newsletter
Cadastre-se gratuitamente e receba nossa newsletter para ficar por dentro das novidades do mercado de café.
Continue lendo

Café reduz risco de doenças do fígado, aponta estudo

Brasil exporta 3,9 mi de sacas de café em setembro, alta de 3% ante 2025

Broca-do-café exige monitoramento e manejo desde a etapa pós-colheita


