
Sabe o que é Mercado Futuro? O Hub do Café explica!
Trata-se de estratégia para cuidar do caixa e manter a capitalização, na qual o produtor pode garantir maior proteção e menos riscos na comercialização do café
Atualizado em 14/03/2022
Sabe o que é Mercado Futuro? O Hub do Café explica!
Trata-se de estratégia para cuidar do caixa e manter a capitalização, na qual o produtor pode garantir maior proteção e menos riscos na comercialização do café

Por Redação em 14/03/2022
Atualizado em 14/03/2022
Cuidar da comercialização da produção do café é um dos maiores desafios do produtor. Diante disso, o cooperado da Cooxupé encontra várias formas para a venda do seu café e uma delas é por meio do Mercado Futuro. Mas, você sabe o que isso significa? O Hub do Café te explica.
Utilizando operações de Mercado Futuro, como a CPR, o cafeicultor pode estudar seus custos, suas necessidades, bem como organizar o seu fluxo de caixa e montar uma estratégia para participar deste mercado. Estas operações são úteis para travar compras de fertilizantes, máquinas e implementos ou para pagar compromissos quando os preços estão remuneradores e as relações de trocas estão vantajosas. Não pode ser utilizado para especular.
Mercado Futuro
Assim, de maneira bem resumida, o Mercado Futuro significa acordos de compra e venda, por um determinado preço e período, de ativos que englobam, dentre eles, as commodities, como é o caso do café.
Nele, o cooperado da Cooxupé encontra, basicamente, três formas para se trabalhar:
– Opções.
– Travas de Preços para entrega futura de produto. Exemplo: Garantia de Preço.
– Operações de Preço Futuro diretamente nas Bolsas.
Entenda
Para entender esta dinâmica e as diferenças dessas formas de Mercado Futuro, a Folha Rural entrevistou o superintendente comercial da Cooxupé, Lúcio de Araújo Dias. Confira a entrevista na íntegra:
FR: Como funciona a participação direta nas Bolsas?
LD: Nesta modalidade é necessário conhecimento e uma estrutura financeira. Em um determinado momento o produtor decide vender o seu produto por um determinado preço. Se o preço sobe, por exemplo, o produtor precisa pagar alguns ajustes diários, ao longo da vida útil deste contrato, que representarão uma garantia de que ele honrará o seu compromisso no futuro. O valor desses ajustes, no entanto, também será recebido pelo produtor lá na frente. Assim, a pessoa garantirá o preço decidido naquela data ou momento da decisão da venda. É muito importante frisar que nesta modalidade, o produtor precisa entregar às corretoras as garantias de que possui capacidade econômica e financeira para sustentar a negociação, fornecendo a famosa margem de garantia para cada contrato e pagar ou receber os ajustes diários.
Opções
FR: Como funciona a via Opção?
LD: Os contratos de Opções não têm necessidade de ajuste e de margem de garantia às corretoras. Entretanto, são extremamente pesados e é importante o cooperado estar atento às condições que esta ferramenta propõe. Estes contratos integram uma soma de diversos fatores como o tempo e a volatilidade do mercado, por exemplo. Assim, essas opções, hoje, principalmente para o café, estão custando muito caro. Para ter uma ideia, um contrato de Opções para 2023 está custando basicamente 15% do valor do produto. Por exemplo: se o produtor quer vender um café por R$ 1.300,00 e garantir este preço mínimo, ele terá de pagar 15% em torno desse valor, ou seja, em torno de R$ 200,00 por saca agora. E, assim mesmo, trata-se de uma parte do café: pronto, preparado. Neste caso, não inclui o café bica corrida.
De acordo com algumas cotações que buscamos no mercado, para 2024, o pagamento está valendo em torno de 25% do valor do Strike. Portanto, são valores bastante pesados para serem custeados pelo produtor.
Alternativa para produtor
FR: E há alguma alternativa para o produtor diminuir estes custos?
LD: Para poder diminuir esses custos, muitas pessoas compram uma PUT (trata-se de um derivativo que dá o direito de venda pelo preço estipulado na compra da opção) e vendem uma CALL (uma opção que dá o direito de compra pelo preço de contrato inscrito no fechamento do acordo). Em resumo, a PUT é um direito de vender enquanto a CALL é um direito de compra.
Na hora que o produtor opta por esta condição, há riscos na CALL, pois se o mercado sobe, o cooperado precisa dar margem e garantia para cumprir com tal obrigação. E isto pode pesar no bolso do produtor.
Garantia de preços
FR: E em relação a Contratos de Garantia de Preços? Como funciona? Quais modalidades a Cooxupé utiliza mais?
LD: Na cooperativa, os cooperados usam mais as Garantias de Preços e a famosa operação Barter (quando o café pode ser usado como moeda de troca na compra de insumos, máquinas e equipamentos). Ao fazer Mercado Futuro com a Cooxupé, é importante saber que o produtor fica livre dos custos gerados nas formas explicadas nas questões anteriores, pois quem arca com esses custos junto ao mercado é a própria cooperativa.
O que todos precisam ter em mente é que o Mercado Futuro tem um valor inestimável, pois possibilita a comercialização de parte da produção no momento em que o mercado sobe. Muitas pessoas acham que essa estrutura é especulativa, mal elaborada. Pelo contrário. Traz seguranças e garantias.
Compromisso
FR: Qual o principal compromisso do cooperado neste contexto?
LD: Todos nós produtores que operamos nesses mercados temos que trabalhar fielmente para cumprir os negócios efetuados e a Cooxupé sempre orienta para que o cooperado faça apenas um percentual onde ele tenha tranquilidade na entrega, como forma de diminuir seu risco na produção ou até mesmo no preço. Claro que existem adversidades como a do clima, mas a maioria das empresas está atenta para, junto com os produtores, buscar soluções para que os cafeicultores tenham condições de liquidar seus compromissos e seguir com sua atividade cafeeira. Quem estiver com dificuldades precisa procurar a empresa onde realizou suas negociações para encontrar soluções e cumprir os contratos para este ano e para os próximos, diante de uma necessidade de prorrogação, por exemplo.
É oportuno ressaltar que no caso da Cooxupé, a garantia de preços e os Barters têm suas estruturas arcadas pela cooperativa e esses custos não vão para a conta do cooperado. Por isso, o produtor precisa ter responsabilidade para quitar essas operações, mantendo a estrutura econômica e as condições financeiras da Cooxupé saudáveis como um todo.
Obrigações
FR: É possível ao cooperado cumprir com estas obrigações?
LD: Sim. Ao longo dos últimos anos, ocorreu um processo de capitalização dos produtores, colocando fim a um grande período de endividamento dos últimos 30 anos. Hoje, os cafeicultores estão diante de uma estrutura econômico-financeira bem melhor. Os produtores na grande maioria estão saudáveis e capitalizados.
Estamos vendo as lavouras bonitas, bem estruturadas, possibilitando boas safras para o médio e longo prazo. Diante desta realidade, o cooperado pode considerar uma participação mais efetiva no Mercado Futuro, para garantir uma renda e cobrir seus custos. Condição que traz segurança e tranquilidade a médio e longo prazo.
O imediatismo neste momento não é estratégico para o cooperado. É preciso se planejar para que esses bons ventos permaneçam na vida do produtor. Neste sentido, os mercados futuros sempre valem mais que os presentes. Não é o que estamos vivendo agora, com a inversão do mercado, mas, naturalmente e principalmente para o café, o futuro vale mais. Lembre-se: visão para médio e longo prazo e dentro desse conceito o Mercado Futuro é uma opção bastante vantajosa.
Atento ao crédito
FR: Por que o cooperado precisa estar atento ao crédito?
LD: Estamos vivendo um processo de aumento substancial de juros, portanto hoje é melhor ter dinheiro para aplicação e, assim, não ficar refém de altas taxas para comprar máquinas e equipamentos e para custeio, por exemplo.
Cuidar de crédito sempre será positivo para qualquer produtor. Aquele que encara o seu crédito como parte do seu patrimônio também cuida do seu negócio com responsabilidade. Já a falta de crédito prejudica bastante o cooperado em diversas situações como: não conseguir comprar adubos e defensivos em boa hora, ter grande dificuldade grande para comercializar seus produtos, entre outras.
É válido destacar que o crédito é extremamente importante principalmente de agora para frente. Isto porque o crédito rural está diminuindo a cada ano e a tendência do governo brasileiro é seguir reduzindo. Essa atividade será dos bancos e cooperativas de crédito aplicando linhas comerciais. Ou seja, uma estrutura muito mais comercial do que governamental. Neste sentido, o cuidado precisa ser maior. Pois, este crédito custa um pouco mais caro. Assim, é recomendável que o produtor tenha uma estrutura de crédito extremamente positiva para obter menor custo possível.
Assine nossa Newsletter
Cadastre-se gratuitamente e receba nossa newsletter para ficar por dentro das novidades do mercado de café.
Continue lendo

Café reduz risco de doenças do fígado, aponta estudo

Brasil exporta 3,9 mi de sacas de café em setembro, alta de 3% ante 2025

Broca-do-café exige monitoramento e manejo desde a etapa pós-colheita


