
“Economias menos produtivas em um mundo mais inflacionário”, aponta economista do Santander
Sandro Mazerino Sobral avalia que países estão vivenciando uma situação rara
Atualizado em 27/07/2022
“Economias menos produtivas em um mundo mais inflacionário”, aponta economista do Santander
Sandro Mazerino Sobral avalia que países estão vivenciando uma situação rara

Por Redação em 29/07/2022
Atualizado em 27/07/2022
“O que temos agora não se via há 30 ou 40 anos”. Foi com essas palavras que o Head de Mercados e Tradings do Banco Santander Brasil, Sandro Mazerino Sobral, iniciou uma palestra virtual para cooperados da Cooxupé, em 21 de julho.
Segundo ele, atualmente, apesar dos fatores que impactam a economia, o esperado seria que as commodities do Brasil se valorizassem, o que não está ocorrendo. E explica: “Toda vez que os produtos agrícolas brasileiros se valorizavam, o valor das exportações subia e o câmbio se apreciava”.
No entanto, agora, o país não responde positivamente aos preços de troca. “A valorização cambial não está ocorrendo, já que o real tem tido um desempenho muito ruim, inicialmente devido à uma política monetária artificial do Banco Central (entre 2020 e 2021), que causou a aceleração na saída de capitais, elevando o câmbio para quase 6 reais”, disse o economista.
Incertezas
Paralelo a isso, contudo, as reformas estruturais necessárias não foram feitas. Mostrando, pois, um descompasso fiscal da máquina pública, aliada à polarização política, que reduz o grau de confiança e mina futuros investimentos.
Na palestra, que contou ainda com a participação de outros economistas do Santander, Sobral lembrou os impactos da COVID-19. Estes, por exemplo, levaram à queda da produção global e ao aumento da impressão de papel moeda, resultando em um descontrole da inflação.
Dessa forma, o período pós-pandemia afetou todas as nações, inclusive estados soberanos como Europa e EUA. “Hoje temos economias menos produtivas, falta de mão de obra e dólar mais forte”, comenta. Ele ainda ressalta que o panorama prejudica o Brasil e outros mercados emergentes.
Luz no fim do túnel
No entanto, o Brasil tem importantes condições para sair vencedor da crise. Entre as quais, de acordo com ele, “(1) O ajuste antecipado da política monetária frente a outras nações. (2) Condição para a melhora cambial com mudanças estruturais. (3) Balança comercial favorável devido às commodities. (4) O Brasil, ao longo da história, viveu ciclos de inflação quase que contínuos, o que possibilita às empresas operarem com mais volatilidade em momentos de crise”, finalizou Sobral.
O economista Wagner Assis, que também integrou a palestra, usou a palavra para citar as condições climáticas e a guerra no leste europeu que, igualmente, prejudicam a economia. “Ninguém sabe o que virá da briga entre Rússia e Ucrânia. Todo mundo se pergunta qual o tamanho da crise que virá nos próximos anos. Além disso, tem o La Niña que trouxe diversos prejuízos para as culturas de café, trigo, soja e cana-de-açúcar, levando a perdas de produção e forçando a alta dos preços”, pontua.
Por fim, a palestra virtual promovida pela Cooxupé contou, também, com as participações dos economistas Daniel Karp e Roberta Guimarães, que dividiram as visões deles sobre o cenário macroeconômico atual.
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